7 em 500: Boas práticas em trilhas

huaraz
Trilhas, em geral, levam a lugares lindos, como a Lagoa 69

Fiz muitas trilhas ao longo dos mais de 500 dias em que viajei por sete países da América do Sul. A maioria delas de menos de um dia (o que, segundo algumas fontes, as colocaria na categoria “hiking“) e apenas uma dormindo ao longo do caminho (mais no estilo “trekking“, de acordo com essa classificação).

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O cânion de Colca foi o único lugar em que fiz uma trilha de mais de um dia

Independentemente de terminologias, percebi alguns hábitos que facilitam a prática da atividade. Além disso, melhoram a interação entre os outros caminhantes nas trilhas. A lista a seguir tem sugestões básicas (mas que, às vezes, são ignoradas) e dicas de convivência. Todas elas pressupõem um mínimo conhecimento prévio das condições do terreno e do clima a serem enfrentadas.

VISTA-SE ADEQUADAMENTE PARA TRILHAS

Uma peça de vestuário indispensável para qualquer caminhada é o calçado. É um artigo de proteção. Por isso, deve ser fechado e firme. Para terrenos planos e sem irregularidades, um tênis com bom amortecedor e sola aderente basta.

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Botas ajudam a proteger de terrernos irregulares, como o trilho do trem a Machu Picchu

Contudo, ao enfrentar um solo mais acidentado, com pedras, barro, vegetação ou qualquer outro obstáculo, o uso da bota se faz necessário. O cano alto é valioso para dar mais estabilidade e evitar torções. O solado grosso e com pequenas garras ajuda a não resvalar nem se machucar, pois o pé não sente o contato com as anomalias do chão. No caso de trilhas que cruzem rios ou em dia de chuva, ajuda muito se a bota for a prova d’água (ou, pelo menos, resistente).

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As botas protegeram meus pés de resíduos e da unidade em Samaipata

Um fator decisivo para a escolha da roupa é a temperatura. Eu gosto de caminhar de calça. Elas protegem as pernas de arranhões e picadas de insetos. Contudo, se o calor for intenso, um short confortável também pode ser usado.

Roupas tecnológicas ajudam muito em temperaturas extremas, como no vulcão Chimborazo

Camisetas com a tecnologia dry-fit são as melhores amigas dos trilheiros. As de manga curta e as de manga comprida. Além de leves, absorvem o suor, mantendo o corpo seco. Dependendo da temperatura, também é necessário levar mais abrigos, inclusive touca, luvas e cachecol.

Em Lojas, no Equador, abrigos foram necessários para proteger-nos do frio

Casacos impermeáveis com capuz são de extrema relevância para dias de chuva. Para dias ensolarados, bonés ou chapéus ajudam muito a proteger a cabeça. Às vezes, há mudanças bruscas no clima e é bom estar preparado.

PREPARE SUA MOCHILA

Coloque somente itens essenciais em sua mochila. Suas costas agradecem. Água é uma das coisas que não pode faltar nunca. Se for uma caminhada de duração mais longa, comidas leves também devem ser carregadas.

O tubo de protetor solar também vai para ser aplicado novamente. Uma camiseta extra também pode ser levada para trocar, caso esteja muito suada ou molhada. Os bastões de caminhada são interessantes para um terreno mais complicado, mas, às vezes, podem ser substituídos por galhos encontrados pelo caminho.

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Bastões emprestados me ajudaram na trilha do Salto do Apoquindo, perto de Santiago do Chile
POSICIONE-SE ESTRATEGICAMENTE

Regras e leis de trânsito podem ser adaptadas e aplicadas em trilhas, especialmente nas mais movimentadas. Quanto mais difícil o caminho, mas atenção é necessária. Observar as atitudes das outras pessoas que estão na trilha aumenta a segurança e o rendimento de todos. Não caminhe em zigue-zague caso haja um companheiro andando atrás de você.

LEIA AQUI SOBRE MACHU PICCHU

Não pare em qualquer lugar. Isso atrapalha o fluxo e destrói o ritmo do colega que vem imediatamente atrás, que também precisa cessar a caminhada. Isso me atrapalhou bastante na subida para Machu Picchu e, sim, xingava mentalmente todos os que se detiam para descansar na minha frente. Estude os arredores, escolha um espaço que não interfira tanto e aí sim faça a pausa.

LEIA AQUI SOBRE A LAGUNA 69

Faça ultrapassagens com segurança. Tenha paciência em trechos muito estreitos ou irregulares. Espere o momento ideal para passar na frente de outro caminhante. E sinalize sua chegada. Caso contrário, podem acontecer sustos ou acidentes, como o que ocorreu comigo indo para a Laguna 69. Um rapaz vinha atrás enquanto eu caminhava sobre as pedras de um banhado. Não percebi que ele se aproximava, acabamos subindo na mesma rocha e quase caímos.

CAMINHE COM SEGURANÇA

Em terrenos instáveis, preste atenção em onde vai pisar e tenha bases firmes. Teste-as antes de colocar seu peso sobre elas. O ideal é sempre ter dois pontos de contato com o piso. Ou, pelo menos, um. Lembre-se que, além de pés e mãos, a bunda também serve para apoiar-se. Sentar-se/arrastar-se não deve ser motivo de vergonha.

LEIA AQUI SOBRE CUSCO

Saltar raramente é uma boa opção, pois nunca se sabe como é o terreno da aterrissagem. Por experiência própria, digo que tentar transpor riachos pulando pode resultar em micos e perdas materiais. Tentei fazê-lo no Templo de la Luna, em Cusco, e escorreguei na grama da margem. Além do mico e do frio de ficar molhada o resto do dia, perdi minha câmera fotográfica, pois ela entrou em contato com a água.

CONHEÇA SEUS LIMITES

Esse, talvez, seja o aspecto mais importante ao pensar em fazer uma trilha. É fundamental saber seu estado físico e encarar um desafio de acordo com ele. Meu sonho é fazer alta montanha, mas sei que minhas pernas e meus pulmões não aguentariam tamanho esforço (ou eu sofreria demais para fazê-lo, e minha ideia é justamente o oposto, desfrutar o passeio).

O vulcão Rucu Pichincha, no Equador, foi o único em que cheguei ao topo

É de extrema valia saber em qual altitude a caminhada será feita, qual sua distância e se há muito desnível. Eleito um trajeto, mantenha seu próprio ritmo. Não adianta acompanhar o grupo nos primeiros 10 minutos e quase morrer no restante do caminho.

PEÇA AJUDA E CONFIE NOS SEUS INSTINTOS

Não tenha vergonha de pedir/aceitar (e oferecer) ajuda. Dar a mão ou pedir para carregar a mochila não tem mal algum. Fiz isso diversas vezes ao longo da viagem. Contudo, em Torotoro foram os casos mais extremos. Lá, tive que pedir pezinho e inclusive dois meninos do meu grupo me içaram para que eu pudesse subir em uma pedra.

LEIA AQUI SOBRE TOROTORO

Só porque está dentro de seu limite, não quer dizer que a caminhada seja fácil. Descanse quando necessário. Estabeleça pequenas metas antes de chegar ao seu destino. Para subir o cânion de Colca e o vulcão Chimborazo, combinei comigo mesma que só descansaria nas curvas (até porque atrapalha menos o caminho dos outros). Devagarinho, com o pensamento “só até a próxima pedra” ou “eu consigo caminhar até aquele galho” é possível percorrer diversos quilômetros.

LEIA AQUI SOBRE O CÂNION DE COLCA
LEIA AQUI SOBRE O VULCÃO CHIMBORAZO

E só porque você julgou que aquelas trilhas estejam dentro dos seus limites, não quer dizer que elas, de fato, estejam. Não tenha medo de voltar, mas procure não fazê-lo sozinho. Se seu instinto diz para parar, pare. Se ele diz para continuar, continue.

LEIA AQUI SOBRE E TRILHA ENTRE TAGANGA E BONITO GORDO

Isso aconteceu comigo em Taganga, quando, em um grupo de cinco, fizemos uma trilha para Bonito Gordo. A menina que nos guiava se perdeu e entrou em pânico. Ela e um casal queriam retornar pelo mesmo caminho. Eu e um amigo sentíamos que a melhor opção era seguir adiante. Cada um seguiu aquilo que acreditava e todos acabaram chegando bem ao hostel.

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