15 canções de Jorge Drexler que mencionam o Uruguai

Jorge Drexler fala do Uruguai em algumas canções (Foto: Thomas Canet/Divulgação)

Jorge Drexler é um dos artistas do Uruguai mais conhecidos no mundo. Assim como a muitos artistas, ele também cantou sua aldeia, principalmente no começo de sua carreira. Diversas músicas dele falam de seu país de origem – hoje ele vive na Espanha. Nesse post, destaco 15 delas. Os lugares aos quais elas se referem podem ser visitados em uma viagem pela costa uruguaia.

12 SEGUNDOS DE OSCURIDAD

“Pie detrás de pie, no hay otra manera de caminar, la noche del Cabo revelada en un inmenso radar. Un faro para sólo de día, guía, mientras no deje de girar, No es la luz lo que importa en verdad son los 12 segundos de oscuridad.”

Nessa letra, musicada por Vitor Ramil, o uruguaio se refere ao farol de Cabo Polonio. A luz emitida pelo instrumento de navegação demora 12 segundos para dar uma volta completa, e daí veio o nome da canção e do álbum homônimo.

Farol de Cabo Polonio
LA APARECIDA

“Se va la tarde en Zanja Honda, la playa es bruma y resplandor, el viento desde el mar invoca su voz. Dicen que vuelve cada marzo, que canta cuando ya no hay luz, y desde la Playa del Faro la vieron flotar hacia el sur”

“Crucé la noche caminando desde El Cabito hasta el farol, colgándome de una botella, tentando a la imaginación”

A primeira composição de Jorge Drexler é cheia de referências à praia de La Paloma, balneário na costa de Rocha. O farol e é presença forte nessa canção – e muitas outras de sua autoria. Ele também fala da região da cidade onde veraneia, cita o condomínio Zanja Honda e a praia El Cabito.

Playa del Faro, em La Paloma
AQUELLOS TIEMPOS

“Era Mayo del 68, pero en Montevideo del 83”

O cantautor cita Montevidéu, sua cidade natal, nesta composição do disco Frontera. Jorge Drexler fala sobre tempo e mudanças, lembra da década de 80, seu período de faculdade e do final da ditadura militar.

Playa Ramírez, em Montevidéu
BIENVENIDA

“El perfume de la sal del Cabo Santa María recobrándome la piel, dándome la bienvenida”

O Cabo Santa María fica em uma ponta do município de La Paloma. É lá que fica o farol da cidade, onde a família de Jorge Drexler veraneava e ele ainda visita quando está no país. A canção integra o primeiro disco do músico, La Luz que Sabe Robar.

Farol de Santa María, em La Paloma
CAIGUA

En una quinta de la calle Caiguá en un rincón al que no he vuelto a ir

A Rua Caiguá se localiza no bairro Prado, em Montevidéu. “Quintas são as grandes casas da área de classe média alta que surgiu com as pequenas mansões construídas para o veraneio da aristocracia da pecuária a partir de 1870. A canção está no álbum Radar, de 1994.

Rua Caigua, no bairro Prado, em Montevidéu
CAMINO A LA PALOMA

“Hay una parte de mí que va camino a La Paloma, por un recuerdo de campo y mar, camino a La Paloma. Conozco esa carretera como tu cuerpo en la oscuridad, porque solo conozco de veras lo que una vez tuve que añorar”

Esse tema também é sobre La Paloma. Ele recorda a praia com nostalgia nesta faixa que encerra o CD Frontera. Cita a lua cheia, e estrada para chegar até o balneário e a paisagem que se vê pelo caminho.

Entrada de La Paloma
CERCA DEL MAR

“Una rastafari del barrio Pocitos flota en el sopor de la grappamiel, prueba la madera de un entrepiso haciendo el amor en puntas de pie”

Pocitos é um dos bairros mais chiques de Montevidéu. Ele fica na beira do Río de La Plata e tem uma praia com cerca de um quilômetro e meio de extensão. O famoso letreiro “Montevideo” fica nessa região. A obra faz parte do álbum Radar.

Letreiro, na Playa de Pocitos, em Montevidéu
DE AMOR Y DE CASUALIDAD

“Tu madre tiene los ojos claros, yo un tatarabuelo de Brasil. Yo soy del sur de Montevideo, y tu mitad de allá y mitad de aquí.”

Dedicada a seu filho Pablo, essa faixa do disco Llueve fala sobre os antepassados de Jorge Drexler e de sua ex-mulher Ana Laan. Ele discorre sobre as diferenças e sobre as casualidades na história do casal (ele se criou em Montevidéu, ela, em Estocolmo).

Playa Buceo, em Montevidéu
EDÉN

“Cruzando Avenida Itália, haciendo dedo hasta el Chuy, mostrando el sello en la aduana, 19 sin cumplir”

Essa música do disco La Luz que Sabe Robar retrata o romance de um jovem uruguaio no Brasil. Para chegar até o país vizinho, pediu carona da Avenida Itália, a principal via de acesso de Montevidéu, até o Chuí, cidade na fronteira entre Uruguai e Rio Grande do Sul, onde fica a aduana.

Aduana, Chuy
LA LUNA DE ESPEJOS

“Se habían visto alguna vez, Un baile en el club de Salinas, Los comentarios de rigor, y la mano en la espalda la sostenía”

Salinas é um pequeno balneário ao norte de Montevidéu. Na canção do álbum La Luz Que Sabe Robar, de 1992, é o palco para o primeiro romance da jovem Mabel.

Rua em Salinas
LUNA DEL CABO

“Luna del Cabo, boca de túnel, lunar plateado sobre las nubes. Todos venimos a verte, venimos de lejos a verte brillar. Blanca, creciente, sacerdotisa, palideciente sobre Valizas.”

Valizas fica a mais ou menos sete quilômetros de Cabo Polonio. Para ir de um povoado a outro, é necessário cruzar as dunas do parque nacional. Como em Cabo não há rede de luz elétrica, a noite fica super escura e ver a lua cheia surgir no mar se torna um espetáculo, assim como Drexler descreve nesta canção que integra La Luz que Sabe Robar.

Arroyo Valizas, em Valizas
MONTEVIDEO

“Yo tengo pintada en la piel la lágrima de esta ciudad, la misma que da de beber, la misma te hará naufragar”

Jorge homenageia a cidade em que nasceu natal nesta música do Llueve. Nenhum lugar específico de Montevidéu é indicado na letra, tampouco o nome do município. A referência é mais ao espírito e ao ar montivedano.

Río de La Plata, Montevidéu
NO TE CREAS

“Salgo a la Rambla de Malvín a respirar de tus amores y en la terraza sobre el mar igual sigo tu sonrisa en las aguas de colores”

A Rambla é a avenida beira-rio de Montevidéu. São aproximadamente 22 quilômetros de via ao lado do La Plata. Ela muda de nome algumas vezes. Na praia do bairro costaneiro Malvín, mencionado na música do disco Radar, ela se chama Chile.

Rambla de Malvín, em Montevidéu
NOCTILUCA

“La noche estaba cerrada y las heridas abiertas. Y yo que iba a ser tu padre buscaba sin encontrarme en una playa desierta. Tenía la edad aquella en que la certeza caduca y de pronto al mirar el mar vi que el mar brillaba con un brillar de noctilucas”

Apesar de não citar Cabo Polonio diretamente, essa canção do CD Amar la Trama é sobre a praia, o mar e as noctilucas de lá. Noctilucas (como explica o cantautor no vídeo abaixo), é um ser unicelular comum nas praias do Uruguai – principalmente no departamento de Rocha – que emite uma luz fosforescente.

Dependendo da quantidade em que se encontram, iluminam o as margens e as ondas do oceano. Quando estão em um número menor, seu brilho pode ser observado ao pisar na areia e agitar a água onde se concentram.

UN PAÍS CON EL NOMBRE DE UN RÍO

“Vengo de un prado vacío, un país con el nombre de un río, un edén olvidado, un campo al costado del mar. Pocos caminos abiertos, todos los ojos en el aeropuerto”

A nação em que nasceu e viveu até os 30 anos é o tema da música que encerra o disco Sea. Sem usar em nenhum momento a palavra “Uruguai“, ele fala na geografia do país, no rio que lhe confere o nome e no Aeroporto Internacional de Carrasco, em Ciudad de La Costa, vizinha à capital nacional.

Campo em Valizas
JORGE DREXLER: uma mini biografia

Jorge Drexler nasceu em Montevidéu em 1964. Em 1992, se forma em Medicina na Universidad de la República Oriental del Uruguay (Udelar) e lança seu primeiro disco, La luz que sabe robar. Em 1995, se muda para Madrid a convite do músico Joaquín Sabina e passa a dedicar-se exclusivamente à música. Dez anos mais tarde, recebeu o Oscar de Melhor Canção Original com o tema Al otro lado del río, do filme Diários de Motocicleta. Em 2017 lançou seu 12º álbum.

O médico que se tornou músico hoje encanta plateias no mundo todo. (Foto: Bruno Alencastro)

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2 comentários Adicione o seu

  1. Luiz Jr diz:

    Salve, Rafaela!

    Gosto muito das composições do Drexler, e foi muito legal ler as associações que vc faz aqui.

    Estive no show dele no Teatro Solis no lançamento do Salvavidas de Hielo em out2017.

    Um momento único!

    Tão bom que já comprei ingressos para a sua apresentação em PoA em abr2018.

    Abraço.

    1. melevaemboraestradaafora diz:

      Aaaaaaai, que lindo! Estava em Santiago quando ele apresentou Salvavidas lá, mas no money to go… Não perdi nenhum show dele em POA entre 2008 e o com o Supervielle. Baita músico. Curte o show! Bjs

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