Tour San Pedro de Atacama – Uyuni

A imensidão branca do Salar de Uyuni é deslumbrante

Conhecer o Salar de Uyuni, na Bolívia, sempre foi meu sonho. Esse era o único tour que eu tinha certeza que faria quando cheguei em San Pedro de Atacama, no Chile. O que eu também sabia era que não seria barato. Acabei contratando a excursão de três dias e duas noites com a agência Senda Mistica por 95 000 pesos chilenos (uns R$ 500). O pacote inclui hospedagem, café da manhã, almoço, chá e janta durante o passeio. É preciso levar três litros de água por pessoa, papel higiênico e adicionais 250 bolivianos (cerca de R$ 125) para as entradas nos parques.

Tour San Pedro – Uyuni (#Chile 🇨🇱 e #Bolivia 🇧🇴)

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A SAÍDA DO CHILE E A CHEGADA NA BOLÍVIA

A operadora busca os passageiros entre 7h30min e 8h em seus respectivos alojamentos. Logo na saída de San Pedro são realizados os trâmites da imigração do Chile. Depois de percorrer uns 50 quilômetros, chega-se à aduana da Bolívia na fronteira de Hito Cajón. Ela está a aproximadamente 4 700 metros sobre o nível do mar. Como são muitos os grupos, a fila demora um tanto. Esperar no vento e no frio intenso definitivamente não foi a melhor parte do tour.

Faz muito frio na fronteira da Bolívia com o Chile

Em geral, a polícia boliviana concede um visto de 30 dias neste escritório (que podem ser extendidos por mais 30 e, depois, mais 30 nos departamentos de migração localizados nas grandes cidades). Na aduana acontece a troca de carros. A van chilena que trouxe os seis turistas até aqui fica no país e embarcamos em um 4×4 boliviano, com guia local da empresa Sajama. As bagagens vão no teto do carro, como é comum no país. Antes de seguir viagem, é servido um farto café da manhã do lado de fora do veículo.

O PRIMEIRO DIA: LAGOAS, TERMAS E GÊISER

As primeiras paradas na terra de Evo Morales são a Laguna Blanca e a Laguna Verde.  As cores das suas águas são em função dos minerais que se encontram nelas. No deserto de Salvador Dalí, pode-se observar rochas de formatos surrealistas. Para relaxar, há a opção de banhar-se nas Termas Polques. Não sou das maiores fãs de águas termais, mas queria me aquecer um pouco. Valeu à pena. Entrar na piscina quentinha com uma bela paisagem era justo o que eu precisava.

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O gêiser Sol de Mañana foi o que mais me comoveu no primeiro dia. Ao contrário do gêiser de Tatio, no Chile, neste observa-se a lava fervendo. O cheiro de enxofre é muito forte e o vapor torna o ar pesado e difícil de respirar. Fiquei sem reação ao testemunhar tamanha atividade vindo do centro da Terra. Foi bem emocionante. A última lagoa do dia foi a Laguna Colorada. A cor vermelha da água e a quantidade de flamingos caminhando por ali impressionam.

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O almoço é servido em um pequeno povoado antes da lagoa. O guia leva todas as provisões e a refeição é preparada no local. Ao, longe, na estrada, às vezes formavam-se pequenos redemoinhos de areia. Na medida em que a altura diminui, percebe-se a mudança de vegetação e a presença de rio. A chegada ao hostel em Villa Mar é ao entardecer. Lá é servido o chá da tarde e a janta. Dividi o quarto somente com um menino, mas existe a possibilidade de compartilhar a peça com mais três pessoas. Para tomar banho, é preciso pagar 10 bolivianos (uns R$ 5).

O SEGUNDO DIA: ROCHAS, LAGOA ESCONDIDA E CÂNION ANACONDA

O dia dois é o menos comovente. Depois do café da manhã no hostel, a saída é pelas 8h. Visita-se algumas formações rochosas, como a Copa do Mundo e o Camelo. Além disso, no lugar conhecido como Italia Perdida, anda-se por entre as pedras. Outras caminhadas bacanas são para a Laguna Escondida, em que se passa por uma criação de lhamas, e para o Canion Anaconda, com uma vista fantástica.

O almoço é em Villa Alota, dessa vez há mais mesas ocupadas por turistas. Há tempo de explorar rapidamente o povoado. À tarde há uma pausa em um pequeno armazém para aqueles que desejam comprar produtos locais (especialmente os elaborados com folhas de coca). Há cerveja e chocolate. São interessantes, mas caros. No fim do dia se alcança o hostel de sal no vilarejo de Colcha K. Os quartos são para duas pessoas. As paredes e parte dos móveis são elaborados com o mineral. Os chuveiros do quarto são com água fria – para água quente se cobra 10 bolivianos (cerca de R$ 5).

O TERCEIRO DIA: SALAR DE UYUNI, CEMITÉRIO DE TRENS
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O amanhecer no Salar de Uyuni é emocionante

O dia mais esperado é o terceiro – e último para os que ficam na Bolívia. Ele começa cedo: saída do hostel às 5h30min. A ideia é apreciar o nascer do sol no Salar de Uyuni. O espetáculo da natureza compensa o frio e o madrugar. Assim que amanhece, a turma dirige-se à Ilha Inca Huasi. Subir ao topo do pequeno morro é cansativo, mas a vista da imensidão branca que se tem lá de cima são a retribuição do esforço.

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Do alto da ilha se tem uma noção do tamanho do Salar

O café da manhã é servido na volta deste passeio, em mesinhas do lado de fora da ilha. Os turistas têm cerca de cinco horas dentro do Salar. Grande parte delas são dedicadas a fotos em perspectiva ou simplesmente em contemplar o lugar. Ele não estava com o efeito espelho, que só acontece depois que chove, mas foi igualmente deslumbrante.

O Salar seco tem uma aparência diferente do que em época de chuva

São feitas algumas paradas para conhecer diferentes partes do maior deserto de sal do mundo. Uma delas é o Museu de Sal. Ele funcionou como o primeiro hostel de sal da região, mas como o impacto ambiental era muito grande, foi desativado. Do lado estão dois pontos bastante fotografados por turistas: as bandeiras do mundo e a lagomarca do rally Dakar, que passou pelo Salar nas últimas edições.

Ao sair do Salar, a excursão vai até o povoado de Colchani. Lá há uma feira artesanal para entreter os turistas enquanto o almoço é preparado. Depois o grupo visita o cemitério de trens, já na cidade de Uyuni. É um lugar curioso e misterioso, propício para sessões de fotografia. Pelas 15h, a excursão chega no escritório da operadora, no centro de Uyuni. Como não havia grandes atrativos do município, decidi não pernoitar lá e ir até a estação de ônibus, a três quadras. De lá, tomei uma locomoção para Potosí.

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O cemitério de trens em Uyuni é ideal para tirar fotos

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