Popayán + Santander de Quilichao

Puente del Humilladero é um dos pontos turísticos de Popayán

Quase todos os países têm suas “cidades brancas”. Popayán é a eleita da Colômbia. Situada no departamento de Cauca, ela foi a primeira capital da Grã Colombia (país idealizado por Simón Bolívar que incluía o que hoje é Panamá, Venezuela, Colômbia e Equador).

CONHEÇA OUTRAS CIDADES BRANCAS DA AMÉRICA DO SUL

Para conhecê-la melhor, optei por fazer um free walking tour. Ele é organizado pela ONG Get Up and Go, que promove o turismo como uma opção para manter a paz em áreas atingidas pelo conflito armado. A atividade acontece de segunda a domingo, às 10h e às 16h, em frente ao escritório municipal de turismo.

POPAYÁN, A CIDADE BRANCA
A Rua das Igrejas fica em frente à praça principal de Popayán

O recorrido começa no Parque Caldas, a praça principal do município. Ali a guia explica, em inglês, porque as construções do centro histórico de Popayán são brancas. Isso aconteceu por causa de uma praga de bicho-de-pé que se espalhou pela cidade, já que as pessoas andavam descalças. Para curá-la, as paredes foram cobertas com cal, e assim sua cor passou a fazer parte da identidade do lugar.

O branco predomina no centro

Em algumas esquinas, o óxido de cálcio não foi aplicado, para que os afetados pela doença pudessem coçar suas feridas. Essa característica se mantém em algumas casas, originais ou apenas para continuar com o que acabou se tornando um detalhe na arquitetura.

Alguns imóveis de esquina têm uma pequena parte sem ser pintada

A cada ano, durante a Semana Santa (cujas procissões foram consideradas patrimônio da humanidade pela Unesco), todas as fachadas por onde passarão os desfiles são pintadas de branco. O horário em que se termina o tingimento é marcado no relógio da torre, que não funciona há muitos anos.

CONHEÇA OUTROS PATRIMÔNIOS MUNDIAIS

Em uma das laterais da praça está a Torre del Reloj, o maior cartão-postal de Popayán e por muito tempo a construção mais alta do município. Os números romanos do instrumento são particulares. O quatro está escrito IIII, e não IV, como deveria ser. Há algumas teorias para explicar essa mudança.

O relógio de Popayán tem um “erro” intencional

A contada pela guia foi que um relojoeiro, ao construir um relógio para um rei, preferiu grafar o algarismo desta maneira para criar três grupos de caracteres (I, II, III e IIII / V, VI, VII e VIII / IX, X, XI e XII). A lenda conta que o mandatário não gostou do desenho e mandou matar o responsável. Depois disso, relojoeiros de todo o mundo passaram a construir o equipamento neste estilo para relembrar o injustiçado.

POPAYÁN, A JERUSALÉM DA AMÉRICA
A catedral é a principal igreja da cidade

Popayán também é chamada de Jerusalém das Américas, em função de sua Calle de las Iglesias. São nove templos cristãos ao longo de apenas uma rua. A mais importante delas é a Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção. O que se vê hoje é a terceira estrutura erguida no local. Em 1983 houve um terremoto e cem pessoas faleceram debaixo da cúpula que desabou.

A SOCIEDADE COLONIAL

Depois o grupo entra em uma antiga casa em estilo colonial. Ali se aprende algumas características da arquitetura e da sociedade daquela época. Um dos fotos expostos foi que somente as famílias ricas tinha fontes em suas propriedades, que em geral ficava no segundo dos três pátios do imóvel. Os mais pobres precisavam recorrer às fontes coletivas do município.

Fontes privadas eram privilégio dos ricos
A GASTRONOMIA PATOJA

A próxima parada tem a ver com a comida da cidade. São recomendados dois estabelecimentos onde se pode encontrar pratos e bebidas típicos como empanaditas de pipián, tamales de pipián, salpicón payanense, lulada, champús e carantanta. A cozinha patoja (de Popayán) também foi reconhecida pela Unesco.

A PONTE DEL HUMILLADERO O MORRO DE TULCÁN

A turma então segue pela Puente del Humilladero, antiga entrada de Popayán e um dos símbolos da cidade. Construída em 1873, tem 12 arcos ao longo dos seus 240 metros que cruzam o rio Molino. O próximo destino é o Morro de Tulcán. Nessa pirâmide erguida por indígenas entre 500 e 1600 a.C. foi instalada uma estátua do conquistador Sebastián de Belalcázar, partícipe da fundação hispânica do município. Dali se tem uma bela visão do centro histórico de Popayán.O Pueblito Patojo, ou Rincón Payanés, com réplicas da Torre del Reloj e da igreja La Ermita, fica nas proximidades.

Sebastián de Belalcázar foi imortalizado com um monumento em sua honra
A FAMÍLIA VALENCIA

O Teatro Municipal Guillermo Valencia é uma das últimas paradas. Pudemos entrar para apreciar sua sala de espetáculos, seu lustre e sua sacada. O teatro foi batizado em homenagem ao poeta Guillermo Valencia, nascido em 1873. Existe um museu na cidade para recorda-lo.

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O Museo Nacional Guillermo Valencia oferece visitas guiadas quando se reúne um número mínimo de turistas. A coleção inclui mais de 7,5 mil livros, inclusive do século 16. A obra mais antiga do museu é uma adaga chinesa do século 14. O mausoléu do artista também fica no lugar. É importante não confundir esse museu com o do seu filho. A Casa Museo Guillermo León Valencia é dedicada ao presidente colombiano dos anos 1962 a 1966. O local ainda serve de mausoléu ao ex-mandatário. Ambos os museus são grátis.

SANTANDER DE QUILICHAO

Em Popayán fiquei na casa de uma família por Couchsurfing. Eles, na verdade, são de Santander de Quilichao, no norte do departamento de Cauca e me convidaram para passar o fim de semana no povoado deles. Apesar de ser um lugar que ainda sofre com a violência da guerrilha ELN (Exército de Liberação Nacional), já está mais tranquilo e me senti segura de ir para lá acompanhada por eles.

O samán é ponto de referência em Santander de Quilichao

A imagem mais conhecida do povoado é o samán. Essa Árvore da Chuva foi plantada em 1898 no Parque Bolívar. Mas a atração mais interessante do município é o Bosque Mágico. Essa mata de bambus tortos tem 33 anos. O dono da propriedade começou o projeto de reflorestamento da área 10 anos antes.

 

O processo para deformar as plantas começa desde quando elas são pequenas, e o responsável afirma que não as prejudica. Muitas delas têm nomes, em geral, vítimas do confronto armado, ou o dia em que foram plantadas – marcando datas de massacres ou mortes de pessoas importantes. Não é cobrada entrada, mas espera-se uma contribuição voluntária dos turistas.

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