Conhecendo o Paraguai

foto do palacio do governo do paraguai
O Palácio do Governo do Paraguai fica na Asunción antiga (Foto: Lucas H. Torres/Arquivo pessoal)

Por Lucas H. Torres/ www.lucashtorres.com
Professor de Graduação e Pós Graduação/ Consultor Empresarial

Nessas férias fiz o que quase nenhum brasileiro já fez: fui conhecer o Paraguai. Saindo de Porto Alegre, de carro, foram mais de 3 mil quilômetros, sendo aproximadamente 1,5 mil deles percorridos dentro do Paraguai. Resolvi escrever isso pois nós temos uma visão muito negativa do que há por lá, muito em função da confusão que é Ciudad del Este, mas que, na verdade, não serve para representar a nação.

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O Paraguai tem duas línguas oficiais: o espanhol e o guarani. Foi muito bom ver como o país busca manter sua história pré-descobrimento por parte da civilização europeia, o que não é feito no Brasil. Nós pouco sabemos sobre o que aconteceu e ainda acontece com as nossas tribos indígenas daqui.

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As estradas no Paraguai não são tão boas quanto as nossas BRs pois não são duplicadas. Há um pequeno trecho duplicado ao sair da Ciudad del Este em direção à Asunción, capital do país. Apesar disso, as rodovias são quase retas, o que facilita a ultrapassagem. Mesmo assim, a viagem acaba sendo mais demorada. Recebi muitas precauções quanto as abordagens dos policiais rodoviários paraguaios, que sempre param brasileiros e pedem propina. Nos seis dias que estive por lá isso não aconteceu.

foto de estrada no paraguai
A maioria das estradas paraguaias não é duplicada (Foto: Lucas H. Torres/Arquivo pessoal)

Lá não existem radares móveis escondidos como no Brasil. Os postos de polícia são pequenos, no qual param os carros que consideram suspeitos. Busquei sempre passar pelos policiais com cautela, com o veículo em bom estado. Uma dica para evitar a possível “perseguição” a estrangeiros é se aproximar do carro da frente para a placa não ser identificada, tendo atenção para não ficar perto de mais.

foto das cascatas de foz do iguacu
As Cataratas do Iguaçu ficam na fronteira entre Brasil e Argentina, próximo ao Paraguai

Para quem visita o Paraguai por Foz de Iguaçu, pela Ciudad del Este, também é interessante conhecer uma catarata paraguaia (que não chega perto do que são as do Iguaçu) chamada Saltos del Monday (pelo o que entendi, a pronúncia é algo como “Mondaü” – o Y em guarani representa água). Ela fica localizada a cerca de 15km de Foz.

foto dos santos del monday
Saltos del Monday (Foto: Lucas H. Torres)

Um lugar pouco conhecido por turistas (e alguns paraguaios também nunca foram) é o Cerro Akatî, um local de observação a 700 metros do nível do mar. De lá, é possível ter uma visão vasta, quase infinita do território paraguaio, que na sua maioria é plano. É extremamente recomendável que se tenha (ou alugue) uma caminhonete 4×4 alta para fazer esse passeio, pois os últimos quilômetros são de estrada de chão batido, com muitas pedras e grande elevação. Um carro comum teria dificuldade ou ficaria danificado ao fazer o percurso pois as pedras na estrada são grandes e algumas acabam golpeando o veículo.

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São aproximadamente 200 km da capital Asunción até o Akatî, o que leva entre três horas e meia e quatro horas para ser percorrido. Por questão de economia, e também falta de noção do tempo do percurso, fomos e voltamos no mesmo dia. Recomendo buscar uma hospedagem em uma cidade próxima, ou, para quem quiser uma experiência mais aprofundada, é possível alugar cabanas no topo do morro. Ele funciona como um sítio, onde os banheiros são casinhas do lado de fora e é necessário jogar água com balde para a descarga. Não são muitas cabanas e só uma é de alvenaria, pelo o que pude observar. A entrada para adultos é cerca de 20.000 guaranis (uns R$ 12). A vista é espetacular!

foto da vista do cerro akatî
A vista do Cerro Akatî se estende por quilômetros (Foto: Lucas H. Torres/Arquivo pessoal)
Gastronomia paraguaia

Para quem visita o país, é importante conhecer a cultura gastronômica. A dieta deles tem sempre aipim e batata doce. Fazem a sopa paraguaia (que é sólida, pois, na época da guerra, era mais fácil transportar sólido ao invés de líquido). Também comem chipas, que são uma espécie de pão de queijo feito com farinha de aipim. Não são meus pratos favoritos, mas vale conhecer. Lá também tomam tererê, um equivalente frio do chimarrão. Diferente de outros países da América do Sul, os paraguaios não tomam com sucos, somente tererê com água. Devido ao calor, quase tudo lá tem uma versão fria (café frio, salada fria de feijão, de arroz…).

As missões

foto das ruinas da missão jesuítica de trinidad

As ruínas da missão de Trinidad são atrações no Paraguai (Foto: Lucas H. Torres/Arquivo pessoal)O Paraguai possui oito das 30 missões jesuíticas espalhadas pela pelo Cone Sul. Visitamos três delas (Trinidad, Jesús Tavarangué e San Cosme y Damian). Os passeios valem a pena, principalmente por causa da melhor conservação dos locais históricos em relação com o que foi preservado no Rio Grande do Sul.

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A Capital do paraguai

Asunción é uma cidade que tem diferentes partes: um centro histórico, que ainda guarda construções antigas e belas, e um novo centro, onde estão as construções modernas. As regiões do município apresentam características que diferem entre si quanto a tamanho dos imóveis, qualidade da rua e calçadas. A moeda do Paraguai é o Guarani. Atualmente R$1 equivale a aproximadamente 1.700 Guaranis (lá tudo é na casa dos mil). A maioria das coisas custa semelhante ao Brasil ou mais barato, principalmente fora da capital.

foto da asuncion nova
Asunción “nova” (Foto: Lucas H. Torres)

Para quem está disposto a pagar mais do que isto, é interessante visitar franquias que não existem (ou há poucas) no Brasil, como Johnny Rockets e Hard Rock Café. Com exceção do Museu 3D em Ciudad del Este (que vale a visita), em todos os outros lugares fomos bem recebidos por todos (apenas um dos auxiliares para foto foi inconveniente conosco).

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