UK Border Control + Eurotúnel

Eurotunel (Foto: Rafaela Ely)
O vagão do trem no qual os veículos cruzam Eurotúnel, entre a França e a Inglaterra, não tem janelas

Eu aguardava meu ônibus em Lille, no norte da França, para ir para Londres, na Inglaterra. A parada era ao lado da estação de trem, então resolvi entrar para escapar do ventinho frio do verão e para carregar meu celular. Me sentei em uma sala de espera para usar um dos poucos interruptores instalados no local. Cerca de 10 minutos após a minha chegada, entraram três pessoas com roupas comuns que se identificaram para um cara que dormia à minha frente. Logo em seguida, eles colocaram faixas no braço indicando que eram policiais. Conversaram com o homem e revistaram sua bagagem.

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Fiquei com um pouco de medo e acabei deixando a sala após a revista. Um temor totalmente injustificado, mas a neura foi mais forte. Encontrei outro lugar para carregar meu aparelho: uma estação com três pedais de bicicleta. Para gerar energia, era necessário pedalar. Adorei a ideia e seria perfeito se fosse implementada no Brasil. Utilizei o equipamento por cerca de 20 minutos e consegui aumentar a bateria do telefone em uns 40%. Dois meninos observavam e, em seguida, se juntaram a mim.

O Megabus atrasou quase uma hora e estava lotado. O motorista falava – naquele forte sotaque inglês que eu não via a hora de escutar –  na possibilidade de perder o trem e eu não entendia, pois estávamos de ônibus e cruzaríamos o Canal da Mancha pelo Eurotúnel (do qual eu sabia da existência, mas não sabia como funcionava).  Chegamos na imigração e nosso condutor pediu para que todos fossem rápidos para não perdermos o trem (“que trem, cara pálida?”, eu pensava).

UK Border Control

Para sair da França, foi tranquilo, não falaram nada. Para entrar no Reino Unido, quase entrei em pânico. Eu estava tão de sangue doce durante viagem que esqueci de imprimir a passagem de volta para Paris. Também esqueci de anotar o endereço residencial da amiga que me receberia em Londres. Sorte que ela havia me passado a rua e o número do escritório em que ela trabalhava, e foi essa a informação que preenchi no formulário.

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A oficial da UK Border Control perguntou minha profissão, e quando descobriu que eu era jornalista, deu uma descontraída. “Ué, não está cobrindo as Olímpiadas?”, questionou levemente. Respondi também em tom ameno ” Graças a Deus, não” (apesar de querer fazê-lo). Ela riu e isso me tranquilizou. Ainda questionou algumas coisas mais e pediu a passagem para o Brasil – que eu também não tinha. Mas como eu já tinha falado sobre as idas ao país em 2010 e 2012, viu que não tinha tido problemas lá, me deixou passar e ressaltou que, da próxima vez, eu apresentasse os bilhetes. Ufa.

o claustrofóbico Eurotúnel

Voltamos para nossa condução e alguns metros a frente o motorista comunicou ao microfone que havíamos chegado no último segundo, mas conseguiríamos pegar o trem. Aí eu entendi. Todos os veículos (inclusive caminhões e ônibus de dois andares, como o nosso caso) são colocados em grandes vagões e fazem a travessia dentro deles. Os passageiros não saem e pode até ser meio claustrofóbico, pois ficar dentro de uma lata que fica dentro de uma lata que viaja em um buraco em baixo do mar não é uma das sensações mais gostosas do mundo. O trajeto entre Coquelles, na França, e Folkestone, na Inglaterra, dura uns 30 minutos.

Londres, 2016 (Foto: Rafaela Ely)
Letreiros do metrô (conhecido como tube) indicavam a chegada à Capital da Inglaterra
A querida Londres

Mais uma hora no ônibus e o ar londrino começou a se revelar. Primeiro, apareceram alguns  double deckers vermelhos e táxis pretos. A seguir, uma quantidade crescente de estabelecimentos comerciais cujas marcas eu reconhecia, os letreiros indicando entradas do metrô, as clássicas cabines telefônicas vermelhas, para então chegar a um centro pulsante, cruzar o Tâmisa e estacionar na saudosa rodoviária Victoria Coach Station. Finalmente, eu estava de volta a Londres.

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