Frankfurt: Free Alternative Walking Tour

Frankfurt am Main, Alemanha. Julho/2016. (Foto: Rafaela Ely)
O símbolo do Euro está localizado em frente ao antigo prédio do Banco Central Europeu

Frankfurt am Main não é dos municípios mais bem falados da Alemanha. Isso porque está diretamente associada ao aeroporto (o segundo maior da Europa) e com o distrito financeiro (é sede do Banco Central Europeu). Apesar da importância no cenário mundial por esses dois quesitos, é uma cidade pequena, com cerca de 720 mil habitantes.

Frankfurt am Main, Alemanha. Julho/2016. (Foto: Rafaela Ely)
Frankfurt é uma cidade pequena e plana, fatores que contribuem para que as pessoas andem a pé

Isso faz com que o território seja ideal para passeios a pé. E foi assim, então, que tive minha primeira experiência com um Free Walking Tour. O tour gratuito caminhando (na tradução literal), é uma visita guiada por um morador da cidade – nativo ou não –  que dura entre duas e três horas. No fim do trajeto, os turistas pagam ao profissional aquilo que acham justo – conceito que me agrada muito.

Frankfurt Free Alternative Walking Tour

Após uma breve apresentação do guia Dominic, um jovem estudante de Inglês, entendi o sentido do nome do tour: Free Alternative Walking Tour. Depois de apontar curiosidades na arquitetura na Kaiserstraße (rua Kaiser) e discursar sobre a hauptbahnhof (estação de trem), entramos no famoso Red Light District (bairro da luz vermelha) de Frankfurt.

O Red Light District

É uma zona em que a prostituição e a drogadição estão fortemente presentes, mas de uma maneira em que não estamos acostumados: legalmente. Cobrar e pagar por atividades sexuais é permitido na Alemanha desde 2002. Desde lá, se tornou uma indústria de 15 bilhões de Euros por ano, movimentados por cerca de 400 mil profissionais do sexo. A situação ainda não é a ideal, muitas delas – a maioria imigrantes – labutam em condições ruins. Contudo, o reconhecimento da existência dessas trabalhadoras perante a lei me parece um primeiro passo para que elas possam se sustentar com dignidade.

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São quadras e quadras de prédios de bordéis pelas quais Dominic nos levou. A orientação foi para que não tirassemos fotos na área, em respeito às pessoas que circulam por ali. Mesmo com nosso esforço de discrição, um senhor começou a nos seguir e a nos xingar. Dizia que eles não eram animais em zoológicos para serem observados e apontados (o que, para falar a verdade, me fez sentir mal).

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Dominic tentou conversar com o homem, informar o porquê de estarmos lá, mas não houve jeito. Isso comprovou a recomendação de que turistas não deveriam entrar na região sem alguém que conhecesse o local. Nosso grupo, de cerca de 50 pessoas – a maior turma que ele já havia guiado – saiu do Red Light District e entrou no distrito financeiro. Enquanto observávamos os espigões espelhados que abrigam centenas de escritórios de bancos, o guia nos contou que existiam quatro salas para consumo de drogas na cidade.

Frankfurt am Main, Alemanha. Julho/2016. (Foto: Rafaela Ely)
Os arranha-céus do distrito financeiro são parte da identidade da cidade de Frankfurt
A política de drogas

Em um primeiro momento, essa proposta pode chocar. Mas, quando analisada sem preconceitos, a ideia pode ser promissora. Nesses lugares trabalham médicos, enfermeiras, educadores, assistentes sociais e outros especialistas. O Estado oferece agulhas e o material necessário para a aplicação (mas não as drogas, obviamente).

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Para utilizar o serviço, o cidadão precisa identificar-se. Assim, o poder público sabe quem são as pessoas que precisam de tratamento. O objetivo é diminuir as overdoses, evitar a transmissão de doenças e tentar fazer com que os usuários parem de consumir drogas. De acordo com Dominic, os índices de criminalidade diminuíram e não houve nenhum caso de overdose em Frankfurt desde que a tática foi implementada.

A catedral é visitada no fim do walking tour

Depois de passarmos por essas duas zonas mais alternativas e menos turísticas de Frankfurt, nos encaminhamos para a parte mais procurada por visitantes. A “Ponte dos Suspiros“, a Römerberg (praça central), a casa de Goethe, o Rio Main, a catedral e outras atrações locais entraram no roteiro.

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