Vespasiano Corrêa: Viaduto 13

Viaduto 13, Vespasiano Corrêa, 02/07/16. (Foto: Rafaela Ely)
O impressionante Viaduto 13, no Rio Grande do Sul, fica em Vespasiano Corrêa, no Vale do Taquari

Longe das grandes cidades e de largas rodovias se esconde uma das mais impressionantes obras da engenharia brasileira. Entre dois morros arborizados em Vespasiano Corrêa, no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, o Viaduto 13 se ergue com seus imponentes 143 metros de altura e 509 metros de extensão. Inaugurado em 1978, o V13 é o segundo viaduto férreo mais alto do mundo e o maior da América Latina. A estrutura integra os 156 quilômetros da Ferrovia do Trigo – também chamada de Estrada de Ferro 491 (EF-491) -, que liga as cidades gaúchas de Roca Sales e Passo Fundo. A obra demorou mais de 20 anos para ser concluída.

A ferrovia do trigo

Atualmente, os trilhos são mais utilizados por pessoas do que por trens, que passam somente duas vezes por dia pela rota. Já os aventureiros procuram o trajeto para fazer trekking e apreciar as vistas alucinantes que o caminho oferece. O trecho mais utilizado para trilha são os 50 quilômetros entre Muçum e Guaporé. Nessa travessia é onde estão a maioria dos 26 viadutos e 34 túneis da Ferrovia do Trigo.

Viaduto 13
A vista que se tem ao caminhar ao longo do meio quilômetro do Viaduto 13 é deslumbrante

Apesar do desejo de fazer o percurso todo, ainda não consegui arranjar os três dias em que programo completar o roteiro. Mas o convite de uma amiga para assistir ao show da banda Menino Everaldo com participação de Thedy Corrêa, do Nenhum de Nós,  possibilitou que eu finalmente conhecesse o Viaduto 13 de que tanto ouvia falar.

Viaduto 13, Vespasiano Corrêa, 02/07/16. (Foto: Rafaela Ely)
Os 143 metros do vistos de cima são assustadores
O rio guaporé

De Porto Alegre até lá são uns 170 quilômetros. Cerca de 20 deles são por uma estrada de paralelepípedo e chão batido. Para entrar nessa via, é preciso dobrar à esquerda antes do pequeno viaduto do trem sobre a RS-129. A pista está em boas condições e costeia um pedaço do Rio Guaporé. Dá pra achar um cantinho para deixar o veículo e descer a pequena encosta que separa a estrada do rio. Os momentos de paz ouvindo o barulho da água e contemplando o cenário bucólico antecipam a felicidade de chegar ao V13.

Viaduto 13
A parada no Rio Guaporé, antes de chegar ao Viaduto 13, transmite calma e tranquilidade ao viajante que contempla a paisagem
O viaduto 13

Mais alguns minutos andando de carro e chega-se aos pés do viaduto. Fascinante é uma boa palavra para descrever a construção. Os olhos acompanham abismados as colunas de concreto desde o solo até os trilhos em um movimento vertical que parece não terminar. Turistas batem fotos e mais fotos sem acreditar na magnitude dos pilares. Esta área na parte de baixo do viaduto possui espaços de convivência como churrasqueira, campo de futebol, bar e restaurante.

Viaduto 13
Os 143 metros vistos de baixo são impressionantes

Após esta parada, é a hora de ir para os trilhos. Uma subida íngreme em uma estrada de terra batida precária leva o viajante até o local mais desejado. À direita, a imensidão do viaduto. À esquerda, a escuridão do túnel. Optamos por começar o passeio pelo viaduto. Diversas pessoas já estavam por lá admirando a vista. Muitos apresentavam sinais de medo e não ousavam chegar perto das bordas e dos refúgios. Outros arriscavam-se até demais. Cruzamos o meio quilômetro do viaduto e voltamos brincando de nos equilibrar sobre os trilhos e posando para fotos.

Viaduto 13, Vespasiano Corrêa, 02/07/16. (Foto: Rafaela Ely)
Os trilhos em cima do viaduto servem de cenário para fotos e brincadeiras
Os túneis

Ingressamos no túnel. Logo depois da entrada, já é necessário acender as lanternas dos celulares para minimizar o breu. A temperatura diminui drasticamente ali dentro. Parece que a adrenalina aumenta ao caminhar em um local fechado no interior de um morro sem saber se o trem virá. Passando a metade do túnel, cinco aberturas deixam o sol entrar e produzem um belo jogo de luz e sombra.

Viaduto 13, Vespasiano Corrêa, 02/07/16. (Foto: Rafaela Ely)
O fim da tarde pode ser apreciado perto das janelas de um dos túneis da Ferrovia do Trigo

Ao sair da galeria, chega-se a uma parte aberta dos trilhos na encosta do morro. A vegetação é abundante. Logo em seguida, começa um outro túnel. Passamos por ele para conhecer o caminho (já estávamos estudando o terreno para um dia fazer a trilha completa). Ele é menor e menos interessante do que o anterior, mas o acesso no meio da mata tem um ar misterioso que torna a exploração do túnel quase irresistível.

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A entrada cercada de verde convida os visitantes a entrarem no túnel

A trilha segue por dezenas de quilômetros, mas ainda tínhamos mais de uma hora de estrada pela frente até chegar a Guaporé. Nos contentamos com as descobertas incríveis do dia e começamos a nos dirigir para o carro. Tivemos a sorte de voltar bem na hora do entardecer e apreciamos o visual do Viaduto 13 colorido pelo laranja do pôr do sol.

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O pôr do sol foi a maneira perfeita de encerrar o passeio ao Viaduto 13

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